Do Salone Del Mobile à Milan Design Week: O Design como motor da Economia Criativa
Há mais de cinquenta anos, Milão se apresenta ao mundo como uma das grandes cidades do design e, no setor moveleiro, consolidou-se como a capital mundial da área.
A relação entre Milão e o Brasil é profunda. Desde os imigrantes italianos que chegaram ao país e contribuíram para o desenvolvimento da indústria moveleira brasileira até a consagração internacional da icônica Poltrona Mole, de Sérgio Rodrigues, vencedora do Concurso Internacional de Móveis de Cantù, em 1961, diferentes acontecimentos fortaleceram o interesse brasileiro pela cidade, pela feira e pelos lançamentos apresentados anualmente.
A partir de 2005, o Salone del Mobile passou a ocupar um novo espaço nos arredores de Milão. O complexo Fiera Milano Rho, projetado pelo arquiteto Massimiliano Fuksas, substituiu a antiga Fieramilanocity e impressiona por suas dimensões. Para se ter uma ideia da escala, o local conta com mais de três quilômetros de esteiras rolantes. A visita à feira, por si só, já justifica uma viagem à cidade e exige, no mínimo, três dias para ser percorrida com atenção.
Paralelamente ao crescimento da feira, os eventos espa-lhados pela cidade também ganharam relevância. O que antes era conhecido como Fuorisalone transformou-se em uma programação tão extensa e atrativa que hoje disputa a atenção dos visitantes em igualdade com a própria feira. Muitos profissionais dedicam apenas um dia ao Salone del Mobile e passam o restante da semana explorando instalações, exposições e ativações distribuídas pelos diversos distritos da Milan Design Week.

Milão: muito além da feira
O volume de atrações tornou-se tão grande que já não é possível conhecer tudo em uma única semana. Neste ano, o Salone recebeu mais de 300 mil visitantes, enquanto os eventos paralelos atraíram centenas de milhares de pessoas. O resultado é uma cidade tomada por profissionais da área, empresários, estudantes e entusiastas em busca de inovação, criatividade e inspiração.
Esse fenômeno demonstra, de forma clara, o poder da economia criativa. A maioria dos visitantes não vai a Milão para comprar os móveis apresentados. Ainda assim, movimenta hotéis, restaurantes, transportes, comércio, serviços e diversos outros setores da economia. O design torna-se, assim, um catalisador capaz de gerar riqueza muito além do produto exposto.
Por essa razão, o Brasil figura entre as maiores delegações internacionais presentes no evento. A cada edição, o Salone destaca um segmento complementar ao mobiliário. Em 2026 foi a vez da EuroCucina; em 2027, será a vez da Euroluce, dedicada ao universo da iluminação.
Milão consolidou-se como um laboratório vivo de inovação, onde arquitetura, design, arte, tecnologia e negócios se encontram para antecipar os caminhos do setor. Participar dessa experiência significa ampliar repertórios, estabelecer conexões e compreender como a criatividade pode impul-sionar o desenvolvimento econômico e cultural.
